As cafeteiras versáteis que fazem até chá

Tipos de chás

Você é do café, ela do chá… Mas de resto, vocês são muito parecidos. E até dividem a mesma cafeteira para preparar suas bebidas preferidas. Cafeteira? Pra fazer chá? Pois é, a sua cafeteira pode ser muito mais versátil do que você supunha.

O chá, como uma infusão, pode ficar ótimo em cafeteiras tradicionalmente pensadas para preparar café: isso porque muitos métodos do preparo da bebida à base de cafeína parte do mesmo princípio de se fazer um chá – deixar substância, no caso folhas, sementes e cascas por algum tempo em contato com um líquido para extrair propriedades dela.  Se funciona com o café, não poderia funcionar também com o chá?

Cafeteiras polivalentes

Poderia – e realmente funciona. Aeropress, Prensa Francesa e a Pressca são as cafeteiras polivalentes para preparar tanto café quanto o chá. Com a vantagem de não precisarem de energia elétrica e dispensam o uso de filtro de papel – no caso da Aeropress, inclusive, há a opção do filtro metálico.

A vantagem desses métodos para o chá é poder criar receitas que vão além dos conteúdos que vêm nos saquinhos – adicionando novas ervas, cascas de frutas desidratadas, etc – e permitir diferentes tipos de filtragem – com o diferencial que permite o preparo do chá antes mesmo da colocação na xícara. Assim, não é preciso ter que concluir o serviço na xícara, tendo que segurar o sachê, às vezes fazendo uma lambança ou não tendo onde depositá-lo depois de usado.

Filtragem reversa

No caso da Pressca, aliás, há um outro tipo de preparo de chá, chamado de “filtragem reversa”. O chá – seja em folhas naturais ou moídas, depois de retiradas do interior de um sachê comercial – é colocado dentro do êmbolo e não dentro do copo. Basta colocar a tampa do êmbolo e descer com ele até quase o final do copo. “Logo depois é só puxá-lo para cima suavemente. O chá será filtrado e ficará no copo principal e pronto para ser servido na xícara ou caneca”, afirma Gerson Amaro, barista da Pressca. É ideal para quem tem pressa.

Na próxima vez que for fazer um chá, pense na sua cafeteira, sim, por que não? Ela pode ser uma aliada e tanto na preparação daquela infusão quentinha. Abaixo, uma das formas de fazer chá com a Pressca.

Como fazer chá com a Pressca

  1. Escolha o chá – a granel ou em folhas. Se for usar os chás de “saquinho”, faça um corte para despejar o conteúdo do saco na Pressca.
  2. Coloque a água para ferver
  3. Despeje 200 ml de água quente na cafeteira.
  4. Mexa suavemente e espere dois minutos.
  5. Pressione o êmbolo até o final e sirva.

 

Café feito em casa: agora também a partir da torra

Não é novidade que os apetrechos domésticos para quem ama café se desenvolveram muito nos últimos anos. Se antes, para se beber uma boa xícara era necessário ir até uma cafeteria, hoje coffee geeks e amantes da bebida podem se virar muito bem no conforto de casa. Não apenas por conta do desenvolvimento somente de novos métodos, que cabem em qualquer bancada sem problemas – dos coados até pequenas máquinas de espresso. Mas também outros acessórios, como balanças, moedores, termômetros… Com os equipamentos (e os modos de preparos) certos, nem é preciso ser barista para garantir bom café.

Os portáteis também vieram para uma mãozinha (mãozona, melhor dizendo), como já falamos aqui no blog: a partir de cafeteiras como a Pressca e a Aram , para ficarmos somente em exemplos brasileiros (orgulho dos nossos compatriotas!!), a vida ficou muito mais fácil e cômoda para os adictos da cafeína, é fato.

Torrefação caseira

Mas agora o café em casa deve ganhar uma nova conotação com torradores domésticos. Isso mesmo, uma das etapas mais importantes para a preparação e elaboração da bebida poderá ser feita em casa de forma bem profissional, por mim ou por você, sem que tenhamos que depender de um mestre de torra para isso – podemos esquecer as tentativas na pipoqueira ou qualquer outra do gênero. Claro que isso que não tira os especialistas da jogada, principalmente se estivermos falando de maiores quantidades. Mas para a nossa demanda caseira, será cada vez mais fácil “brincar” de torrefação.

 

Os designers ingleses Andrew Stordy e Rombout Frieling, ao estudarem Design Industrial na London’s Royal College of Art, desenvolveram um home roaster para deixar a torra bem mais fácil. É um equipamento com características profissionais para ser usado no âmbito doméstico: é possível torrar pequenas quantidades de grãos.

A máquina, clean e minimalista, cabe em qualquer cozinha e ainda vem com um programa de perfil de torras já pré-estabelecidas que podem ser operadas a partir de um aplicativo para celular (iOS e Android). Ou seja, a partir de perfis já estudados pelos criadores, é possível ver qual se aplica melhor aos grãos verdes que você tem e determinar como quer que a máquina faça o trabalho.

Made in Brazil

No Brasil, um projeto que tem a frente o coffee hunter e especialista na bebida Ensei Neto também deve chegar em breve no mercado. Trata-se de um torrador para se ter em casa que pode ser conectado a um software open sourceo que significa que as informações e os perfis podem ser trocados e construídos pelos próprios usuários, num grande esquema de código livre, em contínuo aperfeiçoamento.

A ideia é permitir um maior envolvimento dos fãs com a bebida, descentralizando toda a cadeia da produção do café, e permitindo que geeks possam colocar a mão na massa (quer dizer, nos grãos) na hora de preparar seu cafezinho do dia a dia. Que boa época para se estar vivo, não?

 

 

Não basta se atentar ao grão; é preciso cuidar da água

A gente vai lá, trata o grão muito bem desde o pé, faz de tudo para que ele seque de forma perfeita no terreiro, pensa em um perfil de torra só pra ele, embala para não ter contato com o oxigênio, mói na hora e usa dezenas de traquitanas para extrair a melhor bebida possível. E na hora da água? O cuidado é o mesmo?

Pouca gente lembra que o café que nos revigora toda manhã – ou que dá aquele gás depois do almoço – é constituído basicamente por água: de 95% a 98% da composição do nosso café corresponde à água e a gente nem sempre capricha nela, a bem da verdade.

Coando café com água fervida

Principal ingrediente

A água é o ingrediente mais e menos importante de um café. Como componente primário de cada gole, deveria ter papel principal na personalidade da bebida. Mas por ser relativamente neutra ao paladar, o seu impacto no sabor final da bebida pode ser considerado irrelevante.

Mas em muitos casos a composição da água é fundamental, já que os minerais presentes nela podem, sim, alterar a estrutura e o sabor da bebida. Água não é formada só por duas moléculas de hidrogênio e uma de oxigênio. Há minerais que interferem no sabor – alguns para ressaltar algumas notas da bebida, outros podem até disfarçá-las.

Certo seria usar água mineral ou filtrada na hora de preparar o cafezinho nosso de cada dia, mais próprias para garantir uma bebida de qualidade. A água da torneira das nossas residências possui uma grande quantidade de cloro, que influi, sim, no nosso cafezinho – ele acaba destruindo alguns dos óleos essenciais do café. E não adianta ferver, muito do cloro continua lá.

Água fervendo para café

Ferver ou não ferver?

Por falar em ferver, essa é uma polêmica que pode levar a discussões enormes entre amantes de café: tecnicamente, a água ferve a 100°C, temperatura que não é ideal para preparar os principais métodos de café em casa – a temperatura ideal da água deve ser de 94°C a 96°C. Mas a água só chega a essa temperatura a nível do mar, então caso você não more na praia, essa temperatura de fervura será menor.

Para quem não tem termômetro para medir a temperatura, o melhor jeito é deixar a água ferver – e isso quando a água começa a formar bolhas, não necessariamente levantar a fervura – e esperar cerca de um minuto de “descanso” para usá-la para preparar os métodos que quiser. Não estamos, aqui, falando de espresso ou da cefeteira italiana, que têm mecanismos diferentes de preparo. Falo dos coados, de Aeropress, Prensa Francesa, Pressca, entre outros.

Café mais água

Recurso escasso

Mas o mais importante dessa história toda é entender o papel da água para a nossa bebida favorita. E cuidar dela com a mesma atenção que damos aos pequenos grãos de felicidade que vão se converter em boas doses de cafeína nas nossas correntes sanguíneas. E isso envolve a hora de preparar a bebida, sim, optando por uma água de qualidade, como já falamos ali em cima. Mas não só nessa hora: cuidar dá água, um recurso cada vez mais escasso, é papel importante para todos nós que dependemos dela para tudo, inclusive para tomar nosso café cotidiano. Desperdício, poluição e uso consciente precisam ser mantras do bom amante de café. Ou você quer correr o risco de poder ficar sem o seu?

 

Da bica ao cortado, do espresso ao pingado: como o mundo toma café?

Como se toma café no mundo

O hábito de tomar café é um dos mais propagados no mundo: trata-se da bebida mais consumida no planeta . São mais de 150 milhões de sacas produzidas anualmente para dar conta de bilhões de xícaras vertidas diariamente pela população mundial. O consumo deverá crescer mais 25 milhões de sacas na próxima década, de acordo com dados da Organização Internacional do Café (OIC). Haja café!

Desde que o café se propagou no Oriente Médio, para o oeste da Europa e para o leste da Pérsia e da Índia nos séculos 16 e 17, até – enfim – ganhar o Novo Mundo, cada país tratou de desenvolver uma forma diferente de consumir a bebida. Café não é igual em todo lugar do mundo, não. Cada população tem suas tradições e formas de bebê-lo, que foram estabelecidas a partir de valores culturais que pautaram seu consumo e consequente desenvolvimento.

Das formas de preparo às proporções, o que vem servido na sua xícara pode variar em cada país. Por isso, elaboramos uma lista com os principais tipos de café que você vai encontrar em diferentes países que for visitar. Pedir como os locais é uma boa forma de entender as tradições culturais de cada território  – e ainda não ficar pagando de turista perdido por aí.

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Argentina

Tradição trazida com os imigrantes italianos, o café é uma mania argentina. Os portenhos têm o hábito do café puro com um tantinho de leite, que eles chamam de cortado – o nome vem da expressão corte (também usada para outras bebidas, como vinho), que indica blend, que o café foi “cortado” (ou misturado) com o leite. É o caffè macchiato deles. 

Brasil

Tão tradicional como um bom pão com manteiga na chapa, o pingado é uma instituição nacional. Café com leite no café da manhã é um hábito de muitos brasileiros: há quem prefira com mais leite, outros com menos. No copo americano, é um clássico. Já o carioca é o café diluído em um pouco de água, ao invés do leite. O café fica mais fraco, menos encorpado. Talvez por isso tenha ganhado esse nome: um café mais levinho pro clima do Rio de Janeiro.

Estados Unidos

Os americanos gostam de café bem diluído, tomado em copões de mais de 500ml (da mesma forma que tomam refrigerante). Como costumam comprar café “to go”, caminham pelas ruas com o copão cheio de cafeína – o hábito, aliás, disseminou pelo mundo com redes como a Starbucks, que fez parecer cool ir pra baixo e pra cima vertendo seu café.

Etiópia

Conhecido como o berço do café, o país tem tradições seculares com a bebida. As cerimônias do café têm um papel muito importante na vida social dos etíopes: as mulheres costumam passar duas a três horas fazendo o café, desde torras os grãos até servir a bebida à família e aos convidados, e usando a jebena, uma cafeteira típica etíope feita de cerâmica, para isso.

Irlanda

Grandes bebedores, os irlandeses têm uma enorme tolerância ao álcool – e também uma relação de quase devoção a ele. Não seria de se estranhar que eles encontraram uma forma de incluir bebida alcoolica até mesmo nas xícaras de café. Mas não qualquer uma: o tradicional whiskey irlandês, que fique claro. Os ingredientes mudam de acordo com a receita, que pode levar caramelo de açúcar, noz moscada e creme. Com uma dose do whiskey, o Irish Coffee vira um drink, que é consumido a qualquer hora do dia – e é uma ótima pedida para afastar o frio.

Café espresso na ItáliaItália

Os italianos popularizaram uma das formas mais comuns de se tomar café. O espresso, café feito a partir de máquinas de alta pressão, permite um café mais denso, encorpado, com a obrigatória presença de uma boa crema formada na superfície – como a espuma no chope. Eles também introduziram um novo léxico na forma de lidarmos com o café, do ristretto  ao macchiato, mas o espresso segue sendo o mais popular.

Japão

Os japoneses estão cada vez mais apaixonados por café: algumas das melhores cafeterias do mundo estão localizadas no país, que sabe levar a sério suas paixões. Lá, o sifão (também conhecido como globinho) é um dos métodos preferidos. O equipamento, que lembra os materiais da aula de química (em que o pó, colocado na parte de cima, entra em contato com a água fervida, colocada na parte de baixo, preparando a bebida por método vácuo). Há até concursos de baristas para ver quem prepara a melhor bebida com o gadget. As tecnologias japonesas também chegaram na forma de conservar o café: á fácil encontrar cafés em lata – tanto quente quanto frio – nas máquinas em metrôs ou na rua.

Cafe de olla como servido no MexicoMéxico

O café é muito consumido no México. No país, umas das tradições é o café de olla, que é aromatizado com canela em pau e açúcar não refinado (que eles chamam de piloncillo). A bebida é tradicionalmente servida em xícaras de barro, que são usadas para transmitir um sabor ligeiramente terroso à bebida.

Portugal

Se pedir uma bica em Lisboa, vai levar um pontapé de cafeína – numa xícara servida com uma pequena quantidade da bebida. Bica é o ristretto deles, café curto para dar aquela animada. A lenda diz que o termo surgiu do estranhamento dos portugueses com o café forte e denso que saia das máquinas de espresso. Nas paredes, o aviso: “beba isso com açúcar”, que logo foi abreviado como “bica”. Dizem também que o termo surgiu na A Brasileira, cafeteria que criou o tal slogan, e que ficou famosa por ser uma das preferidas do poeta Fernando Pessoa.

Café turco nservidoTurquia

Na Turquia e em outros países árabes, o café turco é uma tradição: é também um dos métodos mais antigos de se preparar a bebida. O grão é moído muito fino (pulverizado), depois colocado numa panelinha especial de cobre ou latão (conhecida como Cezve ou Ibrik) onde a água é fervida e misturado, depois fervido novamente por outras duas vezes. Quando servido, é normal que junte uma quantidade de pó no fundo da xícara. Geralmente é servido também com especiais como cardamomo (mais comum), ou até anis estrelado ou canela. O hábito de servir a bebida na Turquia é um Património Cultural Imaterial da Humanidade da UNESCO.

Espresso ou expresso? Os dois – desde que bem tirado!

Espresso tirado na hora

Ainda sou fissurado por um espresso bem tirado: você encosta no balcão, pede um café, o barista mói os grãos na hora e os compacta no porta-filtro, encaixa no grupo e, de olho no funcionamento da máquina, extrai a bebida perfeita: intensa, densa, com a crema cor de avelã, perfumando todo o ambiente.

Mesmo que hoje ainda diversifique bem os métodos – com o tempo, o espresso deixou de ser a minha única paixão, tendo que concorrer com uma relação cafeinada cada vez mais poligâmica –, gosto especialmente do “kick” que uma xícara de espresso me traz. Pode ser psicológico ou até nostálgico (aprendi a gostar realmente de café a partir do método), mas basta verter uma xícara de espresso que eu sinto a cafeína percorrer minhas veias, meu corpo chacoalhar e parece que eu fico um pouco mais pronto pra vida. Meu superpoder está ali, naquela xícara de café servido na hora, expressa.

Café espresso tirado na hora

Expresso – feito na hora

Usei espresso e expresso, onde foi que eu errei? Não sou linguista nem professor de português, mas ouso dizer que não errei em nenhuma das palavras aí de cima, não. Espresso, o café, é grafado no mundo do café assim, com ‘s’, conforme a grafia italiana – os italianos que criaram as primeiras máquinas para se extrair café com pressão. Por anos, aliás, o espresso dominou a cena.

O termo “espresso” também tem a ver com a forma que o café espresso é preparado, a sua mecânica – aliás, entre todos os métodos, é ele que demanda uma maior mecânica, né?! Segundo os linguistas, espresso e expresso advêm de um mesmo denominador linguístico, o do latim exprimere, que pode significar tanto apertar com força ou extrair quanto pronunciar, expressar.

Um café com apuro

Para mim – e para um monte de coffee lovers – o espresso é a melhor expressão do café, a sua quintessência. Nesse método, os controles e a capacidade profissional do barista – ou seja, todos os determinantes para uma boa bebida – precisam estar perfeitos, alinhados. Se algo não está certo, a bebida sai perdendo. É o método de preparação que exige mais detalhamento, mais apuro técnico por assim dizer: é preciso calibrar a moagem, prensar corretamente o pó e extrair a bebida em temperatura, pressão e tempo exatos.

Xícara de espresso com crema

Novos métodos

Não é a toa que o espresso se manteve no reinado por tantas décadas. Hoje, com novos métodos – inclusive mais fáceis de reproduzir em casa, o que é um grande diferencial – ele vem perdendo sua majestade. Por anos, se manteve como a única opção quando se pedia uma xícara em cafeterias, restaurantes e padarias. Hoje, com a tendência dos cafés filtrados, por infusão e mais diluídos, o espresso encontrou grandes concorrentes em bebidas mais suaves, boas para se dividir, que podem valorizar outros atributos e notas sensoriais.

Não troco meu café coado da manhã nem por uma xícara do melhor espresso bem tirado. Mas logo depois da refeição, especialmente do almoço, quando aquela preguiça teima em se aproximar, é uma xícara de ristretto que, tomada quase como um shot, é que recarrega minha energia e põe minha mente de novo no prumo. O serviço é rápido, o efeito é imediato. Expresso, de verdade, só mesmo um espresso.